E agora? Quantos livros você finalmente acabará de ler? Quantos amigos você fingirá ter? E quantos você irá manter?
E agora? Quais desejos você finalmente irá saciar? Para qual instituição de caridade você irá colaborar? Com quantas pessoas você irá trepar?
E agora? Quais questões você resolverá? Quantos colhões ainda eles lhe dirão que você precisará? Quantas regras que a sociedade criou você obedecerá?
E agora? Quantos amores lhe farão um relicário? Quantas pessoas você permitirá que lhe chamem de otário? Quantos medos você esconderá dentro do armário?
Novo dia. E agora? Novo dia. Será um novo dia? E agora?
Gozado por: MUN-RAH 9:59 PM
FICA COM DEUS, SENHOR.
Caros leitores, eu me mudei. No inverno. E nevou. E faltou luz. E com todas essas atrocidades, constatei que a melhor maneira pra saber se você já está adaptado à casa nova é o teste das escadas. No escuro. Com sono. E quase se mijando. Se a pessoa consegue descer (descer, não subir) nessas circunstâncias, parabéns!! Você já pertence à casa e ela lhe pertence. Caso contrário...
E foi isso que aconteceu.
Estava há três dias na casa. Não tinha achado minha escova de dentes, só a pasta (o dedo fazia as vezes de escova). Havia caixas por todos os lados. Latas de tinta e pincéis. Num canto do meu quarto, uma pilha monstruosa de roupas, que eu já não sabia mais quais eras limpas e quais eram sujas. Ah sim, e tinha um balde, que surgiu do nada, com um líquido muito do suspeito, uma coisa não vista, meio verde, com um troço boiando. Além de tudo, minhas costas doíam, minha bunda estava dolorida e a unha do dedão do pé estava roxa. Mais? Eu só comia miojo há 3 dias.
Seis da manhã de domingo (bacana!).
Alguém bate na porta (joinha!!).
Lá fora ainda estava escuro. Frio. Nevando (supimpa!!!).
Qualquer pessoa sabe que se alguém bate na sua porta às 6 da manhã de um domingo, não importa se com neve, com trepada durante toda a noite, com os malditos pássaros berrando e o sol brilhando, você tem TODO o direito de matar em legítima defesa do seu sono e sanidade mental (porque o humor a essas alturas já estava morando na casa do caralho).
Tento acender a luz. Adivinhem, tinha faltado luz! Sento na cama, um olho meio aberto, o outro não abria nem por decreto. Tento calçar meus chinelos, só achei um, o outro sabe lá Deus. Se manifestou em mim então uma vontade galopante de fazer xixi, mas se alguém bate à sua porta às 6 da manhã, você julga ser URGENTE, não? Com muito custo levanto da cama (estou explicando em miúdos, mas isso aconteceu em milésimos de segundos, tão entendendo?), solto um "putaquepariu", assim, em bom volume. Abro a porta do quarto. Ah sim, antes subo e desço a montanha de roupas que havia migrado, inexplicavelmente para o meio do quarto, e dou com o mesmo dedão roxo na porra do balde suspeito.
Chego no topo das escadas (olhos quase abertos), me preparo para descer, tateio até achar o corrimão ¿ pausa: alguém bate na porta mais uma vez, e dessa vez bate com melodia, tipo nos desenhos do Pica-Pau, lembram? Então... Se eu ainda tinha algum resquício de bom humor, ele se foi. Coloco um pé no degrau, vou de mansinho com o outro pé até o outro degrau. Venço o obstáculo. Vou para o restante dos degraus e, em algum momento, entre o quinto e o décimo degrau, eu me perco. Mas não me perco à toa não, me perco BONITO. Lindamente. E sigo graciosamente até o fim das escadas, usando a bunda que já estava dolorida como objeto amortecedor da queda. Num arabesque às avessas, aterriso frente à porta. Me recomponho. A essas alturas quero matar alguém com alicate de unha, bem devagarinho. E vou ver quem é o infeliz que bate.
Abro a porta e um indivíduo ínfimo, que não chegava a ter um metro e meio, de terno e gravata de oxford, me olha com as orelhas mais murchas que saco de múmia.
Não sei quem se assustou mais, eu ou o toco de amarrar bode, pois certamente a visão da minha pessoa em pijamas e de profundo mau humor NÃO É DAS MELHORES.
Toco de amarrar bode: "Oh, o senhor me desculpe, mas acho que estou no endereço errado..."(Pausa de novo, se me permitirem: recapitulando ¿ domingo, frio, seis da manhã, dolorido e ainda por cima sou chamado de SENHOR).¿
Eu: "Hã?" Toco de amarrar bode: "É que eu vim buscar o meu compadre, o Fulaninho de Tal e a minha comadre, a Beltraninha de Tal pra ir no batizado do Cicraninho, lá na Igreja-de-Nossa-Senhora-dos-que-não-tem-mais-nada-pra-fazer-num-domingo-de-frio-e-neve." Eu, não acreditando no que acontecia: "Hã?" Toco de amarrar bode: "Senhor (ai, de novo), me desculpe, mas me desculpe mesmo. Fica com Deus. Desculpe, senhor (porra, outra vez)." Eu, querendo matar ele da forma como citei antes: "Não, só um poquinho... Tá achando que eu sou a Disneylândia?!?!" Toco de amarrar bode, se sentido a mosca na merda do cavalo do bandido: "Mil perdões senhor (sem comentários), não sei como fui errar de casa." Eu, já com um pouco de pena, mas de muito mau humor: "Tá...". E fechei a porta.
Sem luz, sem café, acordado às 6 da manhã de domingo por causa de um batizado o qual eu não tinha sido convidado, com frio, vontade de fazer xixi, coberto de hematomas, com a bunda doendo ainda mais e apenas um chinelo. Só Deus mesmo pra ficar comigo.
Gozado por: MUN-RAH 9:58 PM
Terça-feira, Dezembro 06, 2005
DEUS SALVE O CURINGA
Caros leitores... Vocês já devem ter ouvido de muitas pessoas, e até de mim mesmo em colunas passadas, que a história não reserva espaço para pessoas comuns. E que, mesmo se não almejarmos ter um capítulo reservado à nossa pessoa, é importante nos destacarmos, nem que seja por satisfação pessoal. Imaginem se você fosse um daqueles bichos de pelúcia que ficam dentro das máquinas de parques de diversões. E só tivesse ursos verdes com um sorriso amarelo no rosto. E, lá pelo meio daquela bicharada, tivesse um azul, maior, com uma carinha que não fosse de pizza meia esperança, meia desesperança. Seguramente o "senhor garra" (lembram de Toy Story?) iria escolher o diferente, porque o que é igual se vê em qualquer biboca. Mas, e quando existem pessoas que se destacam, são diferentes, têm tudo para ter seu próprio capítulo na história e se anulam, por medo? No jogo da vida, quando o jogo fica truncado e não há nenhum curinga à vista, é melhor entregar as cartas, ou tentar até o fim a Canastra Real?
Sábado à noite, dois amigos foram ao Curinga, o bar do momento em Caxias do Sul. As paredes vermelhas decoradas com os naipes do baralho, as mesas de madeira com cadeiras confortáveis, o atendimento excelente e as comidas e as bebidas que são um convite ao "pecado" da gula. Nesse contexto estava Gabriel, solteiro, 21 anos, trabalha com marketing, transa com homens e mulheres, tem cabelos loiros platinados, uma boca e uma bunda elogiados por 95% das pessoas (os outros 5% são formados por pessoas frígidas ou cegas). Com ele estava Luna, solteira, 31 anos, trabalha com marketing, transa com homens e homens, morena, um rosto e um corpo elogiados por 95% das pessoas (os outros 5% são formados por pessoas frígidas ou cegas). E ambos são tudo aquilo que todos querem ser, mas poucos têm coragem. Não leitor, não é uma hipérbole. Eles falam de sexo como falam do almoço de ontem. Contam que chuparam fulano e beltrano no banheiro da faculdade ou dentro do carro com a mesma naturalidade que vão comprar cerveja no posto. Gabriel usa um tênis de cada cor, e não tem vergonha nenhuma de falar sobre quem acha gostoso ou suas mais íntimas fantasias. Mas fica com o rosto quase roxo quando descobrem que ele gosta de batatas fritas com muito sal, muito catchup, muito queijo ralado e muito orégano. Luna usa roupas com seu estilo, e nunca intimidou quando o assunto é boquete, mas quer se enfiar em um buraco quando alguém comenta sobre seu hábito de comer biscoitos mergulhados no café.
Em suma, meus caros meliantes, eles têm tudo. Chamam a atenção por suas personalidades e são admirados. Só que ainda não usam metade do potencial que têm. Poderiam usar, poderiam ser muito mais, mas não são por puro receio. Essa foi a confissão deles no Curinga.
"- E então eu desci, e lá embaixo vinha uma multidão de gente, que gritava "fora, Gabriel"! Empunhavam faixas dizendo "vá pra casa, satanás"! E na frente vinha um padre, com rosto de anjo, roupa toda branca, trazendo uma cruz. Quando ele chegou na minha frente, disse "eu te esconjuro, satanás! Deixe o corpo desse pecador, tu espalha a luxúria pecaminosa entre os homens". E então eu peguei a cruz, joguei contra a multidão, arranquei toda a roupa branca do padre, que era bem novo, e chupei ele ali, na frente de todo mundo. E aí eu acordei."
"- Bom, Gabi, eu já sonhei que estavam me matando a chicotadas por eu ter dado para todos os homens da cidade. E enquanto o carrasco me batia, eu batia uma punheta pra ele, até que o pobre coitado larga o chicote e me come em praça pública."
"- Luna... Eu já tive esse sonho do exorcismo antes, mas eu sempre acordava assustado, e sempre na hora que o padre gritava aquelas coisas. Eu nunca reagia. Me senti o máximo pegando naquela piroca imaculada e fazendo ele ver o lado bom da vida, hahahahahaha!"
"- Eu sempre morria antes de fazer qualquer coisa. E dessa vez o carrasco era lindo, e eu reagi e gozei, hahahahahahaha!"
Quando eles contaram os sonhos, pediram um coquetel de frutas, que estava divino. Finalmente, depois de tanto tempo anulando suas melhores qualidades por medo de perder, eles estavam ganhando. Faltava era um curinga. Aquela carta gloriosa, que quanto se está fodido na Canastra, encaixa direitinho no meio de tudo o que você tem na mão, te faz bater, pegar o morto, bater de novo e ganhar a partida. Nesse caso, no caso do jogo da vida, os curingas são os amigos. E cada um deles pescou o seu. Gabriel sabe que pode confiar e falar e viver com Luna, assim como ela pode tudo isso com ele. Podem comentar que uma das sobremesas do Curinga, o Napolitano, tem o mesmo sabor do Lucas, um conhecido dos dois que tem corpo de homem gostoso e cara de bebê. É doce na medida certa, sexy, e a melhor parte é a calda dos morangos flambados, que se degusta no final (!).
E por que Gabriel às vezes se sente o demônio? Por falar o que pensa, desconsiderando o pudor fétido da sociedade? Quero morrer seco se aquelas pessoas que queriam exorcizá-lo não tiveram pelo menos uma vez na vida um ato ou um pensamento deliciosamente libidinoso. E por que Luna seria chicoteada até a morte? Por fazer o que 100% das mulheres têm vontade, mas não fazem por medo?
Ah, vamos, leitor... Você também já teve vontade de alguma coisa fora do "normal", não teve? Se fez, você é um vencedor. E se ainda não fez, está esperando o quê? Alguém lhe dar permissão? Essa permissão só você mesmo pode dar. Deus inventou só Adão e Eva, mas você pode inventar o Ademar e a Evelise. E as coisas só são assim até todo mundo fazer, ou todo mundo mostrar que faz. Uma vez homens que usavam brincos sofriam preconceito, hoje todos cagam e andam e ainda têm mulheres que molham o sapato só de pensar em ter suas belas bocas e bucetas e cús fodidos por homens usando brinco.
Gabriel e Luna estão voltando à sua essência. Porque NINGUÉM pode fugir do que se é. Podemos sim mudar algumas coisas, melhorar outras, mas não se pode viver a vida de outra pessoa. A essência de cada um é eterna e única. Eles dois são diferentes, diferente não é errado. Também não existe certo e errado, não é mesmo? E finalmente estão conseguindo viver suas essências, por separarem as coisas. Quando acontece uma rejeição, ela pode ser por vários motivos, não só o pessoal. Ah, fulaninho não quis te comer? Bom, pode ser sim porque você não é sexualmente atraente. Mas ele pode ser casado, namorar, estar com diarréia, ou simplesmente não querer sexo. E, se ele não tiver achado você sexualmente atraente, não significa que você não é sexualmente atraente.
E têm outros motivos especiais pelos quais eles estão retornando às suas essências. Um curinga, um amigo, onde se pode depositar toda a confiança, todo o medo, toda a alegria. E um lugar chamado Curinga, onde se pode tornar tudo isso realidade, com o bônus de música boa, comidas e bebidas que provocam orgasmos, a atenção especial dos donos, garçons simpáticos e o sorriso do cara do bar, que tem gosto de sacanagem misturado com aquelas sobremesas gostosas.
Gabriel e Luna, obrigado por mostrarem às pessoas que ninguém precisa se adaptar à vida da sociedade. Tinha medo que vocês desistissem de ser quem vocês são. E a sociedade não mudou, o que mudou foi o modo como vocês a recebem. Querem chupar um pau e alguém vai achar ruim? Foda-se! Quer usar um tênis de cada cor e vão achar que você acabou de sair do baixo meretrício? Foda-se! Quer trepar com todo mundo, com homens, mulheres e cachorros até as pernas amolecerem, a garganta engolir a vida líquida o suor escorrer, e algum puto ou puta vai achar que vocês matam o romantismo? Foda-se! Aliás, romantismo hoje em dia é ceder seu lugar no ônibus para aquela senhora com três bisnetos e reumatismo.
O Curinga, o bar e restaurante, não é um lugar de pegação, de putaria, nem de nada que a maioria dos lugares são. Se vai lá para degustar a comida e as bebidas, ver pessoas interessantes e apreciar todas as qualidades do local. Lá, as pessoas se sentem bem. Puro bom gosto. Os curingas, Gabriel e Luna, não são nada daquilo que você, leitor, também não é. Se convive com eles para degustar toda a liberdade e toda a virtude de ser o que se é na essência.Com eles, quem não for burro, se sente bem. Puro bom gosto.
Todos nós temos que achar o nosso curinga. Ou por acaso, você é mais uma das pessoas que vai crucificar o Gabriel, a Luna, a vizinha da esquina, o dono da padaria ou este lhes escreve, por alguma coisa que fazemos e você não tem coragem de fazer? Não vai? Ótimo, venha conosco e vamos pro Curinga! E se vai... AZAR O SEU. Você vai perder o jogo, sem curinga nenhum.
Gozado por: MUN-RAH 10:56 PM
Quarta-feira, Agosto 17, 2005
15 DE AGOSTO
Todos nós, profissionais do mercado publicitário ou mesmo todos nós, ananás ocupados com qualquer atividade, sabemos que as datas comemorativas encontradas em nosso calendário promovem um aumento considerável de vendas. No Natal, o campeão de vendas, se vende de tudo, a toda hora. O Dia das Mães, o Dia dos Pais, a Páscoa, o Dia da Criança (perdoe-me Nossa Senhora Aparecida, mas ninguém dá presentes por causa da senhora), e o "dia do caralho a quatro" são igualmente lucrativos para todos. As agências de publicidade lucram produzindo campanhas, as lojas lucram vendendo mais e o marido que não comia a esposa há um bom tempo lucra uma rapidinha por ter dado a ela um buquê de flores da esquina. Existe até o Dia dos Casados, em que os padrinhos do casal dão presentes e todos se confraternizam, desejando-lhes pela enésima vez felicidades. Não é lindo?
Pois eu, solteiro e felicíssimo com meu estado civil, fiquei sabendo por meio da Luciana Gimenez (sim, eu assisto) que existe o Dia do Solteiro. E fiquei sabendo esse ano, nunca tive conhecimento disso. Mal divulgado, com certeza. E fiquei sabendo às 23 horas, ou seja, sem mais nenhuma SEXpectativa de comemoração pelo dia, que só dispunha de mais uma mísera hora.
E então fiquei pensando, fazendo um link com publicidade, sexo e vendas: depois de formado, se o cidadão ou cidadã é solteiro(a), não existem mais situações para se ganhar presentes. Eu não incluo aniversários, nem Natal, nem nada disso, porque isso é geral. Todos fazem aniversário, e todos esperam o Coelinho da Páscoa trazer dois ovinhos e uma cenoura (aqui, sem distinção de religiões).
Lembrei então de um casal amigo, Cristian e Bruna. Eles são casados há 3 anos e têm 2 filhos. Sou amigo dele há mais ou menos 4 anos. E usando todo o meu instinto mesquinho, fiz as contas de quanto eu gastei com a família feliz. Foram 4 presentes de aniversário para o Cristian, 3 para a Bruna, presente de casamento, presente para cada um dos filhos quando nasceu e quando foi batizado e presente de aniversário de 1 ano para o primogênito. E devem ter tido outros, dos quais eu não lembro. Então, devo ter gasto mais ou menos 2 mil reais com eles. E quanto eles gastaram comigo? Eu não me casei, ainda não me formei, não tive filhos e não descobri um planeta antes da NASA mandar alguns astronautas explodirem por lá. Não ganhei quase nada, pois ninguém lhe dá presentes ou lhe manda cartões por você ser solteiro. Não existem mensagens do tipo "parabéns, você está solteiro! Seja muito feliz! Espero que goste do presente". No Dia dos Solteiros, fiquei sabendo pela Luciana Gimenez, que nem solteira está, que esse era o meu dia. E não vieram nem e-mails imbecis que já passaram por 89263 pessoas me felicitando. Não ganhei presentes, não vi comerciais na televisão sobre o meu dia, não houve nada, a não ser assunto para esta coluna.
Imaginem quanto as agências de publicidade, as lojas e as mulheres e os homens bem e mal fodidos iriam lucrar? E imaginem o quanto nós, solteiros, ficaríamos satisfeitos pela lembrança da nossa escolha em estar ímpar? Seríamos cumprimentados e presenteados porque não quisemos que o "eu" se transforme em "nós" (nós gostamos do filme, nós odiamos o restaurante, nós não vamos na festa, nós, nós, nós, nós, nós). Não queremos dividir a nossa cama todos os dias com alguém, não queremos ver ninguém escovando os dentes e urinando em nossos banheiros, detestamos o "chuchuzinho", o "môr" e o "docinho" e enfrentamos, heroicamente, a Floresta das Cobras Casadas (plagiando de mim mesmo o título de uma coluna anterior).
Sim, porque você, solteiro ou solteira que está lendo e se identificando com este texto, já enfrentou alguma situação fudida por estar simplesmente só. Os olhares de "pobrezinha", os votos de "mais cedo ou mais tarde a pessoa ideal aparece", as afirmações de "o que é seu está guardado" e os mil nomes de pessoas que os casados vão lhe apresentar para que você desencalhe. Aliás, essa é uma expressão que muitos gostam. A baleia encalha na praia, certo? Geralmente, quando ela encalha, ela morre, certo? E nós, estamos morrendo por estarmos solteiros? Não, difinitivamente. Então, por favor, não estamos encalhados.
Deveríamos ganhar prêmios por enfrentar tais situações. Deveríamos ser retratados publicamente, em rede nacional, por não darem importância ao nosso dia. E deveríamos enviar convites aos casados, dizendo: "Queridos fulaninhos, estou me casando comigo mesmo. A lista de presentes está na minha loja preferida. Favor, enviar por correio, para a minha casa. Obrigado". E então, eles, com um lindo presente, responderiam: "Nós (claro, o velho ¿nós¿) estamos contentes pelo casamento de você com você. Sabemos que não houve festa porque sua vida inteira é uma festa. Desejamos muitas felicidades e que o casamento dure para todo o sempre. Atenciosamente, fulaninhos". E então todos ficariam felizes para sempre.
As agências ficariam felicíssimas por terem mais uma campanha polpuda para desenvolver, o comércio por vender ricos presentes aos ímpares e as boates teriam muito mais movimento em promover festas badaladas para os solteiros (e não fracos bailes de casais). Tudo seria muito mais publicitário. Pelo bem da Publicidade, pelo bem do comércio e pelo bem de você, solteiro feliz, ou de você, casado que tem um amigo ou amiga que esteja solteiro e seja fabuloso, inclua mais uma data comercial em seu calendário: 15 de agosto. Muito obrigado!
Gozado por: MUN-RAH 4:28 PM
Quarta-feira, Agosto 10, 2005
A QUÍMICA
Eu sempre odiei aulas no colégio. Mas depois que de perder a virgindade e ficar um pouco mais entendido sobre assuntos relacionados a sexo e sexualidade, passei a venerar. A falta dela em nossos relacionamentos pode (e deve) decretar o fim de qualquer sonho de uma casa e filhos, e talvez um vestido de noiva e cinqüenta padrinhos. Será que somos tão inúteis a ponto de renunciar às nossas químicas sexuais? E será que somos tão robotizados a ponto de levarmos uma relação adiante sem essa maravilha?
Raul, um Relações Públicas que organizava os maiores eventos da região estava iniciando um namoro com Júlia, uma jornalista não tão famosa de um jornal muito famoso. Os dois saíam para jantar, ver um filme ou trepar, ou as três atividades juntas, ou apenas uma. Nos jantares, era conversa do início ao fim. Conversavam sobre absolutamente tudo, desde as mais obscuras leis da física, passando pela política nacional, livros, música, até as atividades enfadonhas da vida de cada um deles. Criaram uma perfeita simbiose no cinema, onde cada cena era comentada com olhares que eles entendiam perfeitamente bem. Trocavam dicas de livros e discutiam sobre quem ganharia o Grammy do ano, com base em toda a evolução da música e ouviam todos os sons imagináveis. Enfim, eram perfeitos juntos, exceto por um (pequeno?) detalhe: o sexo. A foda dos dois, como Raul definiu, era uma pústula. A primeira transa foi marcada pelo desconforto mútuo. Segundo Raul, "podia-se ouvir as pessoas passando na rua". Foi uma foda silenciosa, onde os dois não gemeram e a cada encontro de olhares, o pau dele parava momentaneamente de entrar em Júlia, tamanho era o constrangimento de algo que eles não sabiam o que era.
"Bom, pode ter sido a primeira vez", pensaram eles. Três dias depois do primeiro sexo, que aconteceu quatro encontros depois do primeiro encontro, eles repetiram a dose. Raul, e provavelmente Júlia, pensou que "era impossível o sexo ser ruim de novo, já que eles se davam tão bem fora da cama". Talvez tivesse sido criada muita expectativa. Porém a expectativa de um segundo sexo melhor foi pro saco. Mesmo constrangimento, parecia até que as mesmas pessoas caminhavam na rua, soltando suas gargalhadas grotescas de bêbadas em final de festa, como se estivessem rindo do atônito casal que tentava sucesso na cama, exatamente como obtinham fora dela. Raul gozou forçado, Júlia não, e os dois, com um tímido beijo de boa noite, não adormeceram aquela noite.
No encontro seguinte, depois de ter treinado durante duas horas na frente do espelho e de ter interrogado todos os amigos a respeito do caso, inclusive esse que vos escreve, Raul decidiu conversar com Júlia sobre o acontecido. Conversaram na cama, com Raul usando sua cueca boxer branca e Júlia usando uma lingerie vermelha, rendada. E, como sempre, a conversa foi deliciosa. Em poucos minutos eles perderam a inibição e já estavam muito soltos, divagando sobre as hipóteses que os impediam de transar. E se entenderam. E decidiram trepar, depois de duas garrafas de vinho e um baseado ("o que poderia ajudar", pensou Raul). Treparam, e depois de trepar, nenhum dos dois, novamente, adormeceu aquela noite. O problema persistia e eles não quiseram mais persistir em algo tão incômodo. Nunca mais se viram.
Raul voltou para seu belo apartamento com vista para a cidade e para seu trabalho prazeroso que lhe rendia uma boa grana no final do mês. Começou a sair com Roberta, uma mulher feia que não tinha tanto assunto. Mas na cama tinham muitos orgasmos. Júlia tinha o sexo que queria ter tido com Raul agora com Carlos, que só sabia falar de carros e fazia um sexo oral delicioso.
Será que a história dos dois coloca por terra as estatísticas de que o sexo não é o mais importante numa relação? Pelo menos, fiéis leitores, é o que a maioria dos humanóides responde. Eu acho, e sempre achei e provavelmente sempre vou achar, que as pessoas bem resolvidas na cama são bem resolvidas fora dela. Nunca conheci alguém bem sucedido na vida e que na cama era um fracasso. Nem vice-versa. E se Raul e Júlia se davam tão bem, por que romperam? Será que sexo é mesmo tão obsoleto e frívol num namoro ou casamento?
Eu sempre disse que sexo é algo simples, que as pessoas complicam demais, colocam regras demais, proibem demais e assim a maioria das pessoas trepam de menos, reprimem seus desejos e assim desenvolvem um câncer. Continuo dizendo que é simples (e não banal), que quando se tem vontade de fazer algo, é pra fazer, sem culpa, dúvida, medo ou arrependimento. E, pelo menos para mim, simples é diferente de banal. E sexo não é banal. Banal foi a forma que Raul e Júlia treparam, num entra-e-sai constragedor. Não é só isso, não é simplesmente meter e tchau. Tem que haver uma química. E é essa química que faz durar um relacionamento.
Ah, mas então, nesse momento, os mais puros devem estar pensando: "lá vem ele de novo dizer que sexo é mais importante que tudo". E eu digo que sim, que aqui venho eu dizer que ele é mais importante que tudo, pois ele é a base de tudo. Um casal, seja ele hétero ou homo, na falta de química sexual, lhes falta tudo. Peguem o exemplo de Raul e Júlia, tinham tudo fora da cama, e em cima dela tudo o que tinham era uma puta vontade de sumir.
Nós somos animais, que alguns gostam de chamar "racionais". E como todos os outros animais, nossos desejos se manifestam através de uma reação química. Quando a tal reação não existe, simplesmente não existe nada, pois funcionamos do mesmo modo que os gatos, os cachorros, os jumentos e os golfinhos. Não é fantástico? Não, não é... De acordo com um autor que agora eu não me recordo, "o homem é o único animal que nega o que é". Que retrô se negar! Ou vocês acham que os gatos, animais "irracionais" e "inferiores", dão a mínima importância para o que os outros gatos acham deles? Só os humanóides mesmo, essa raça fudida que complica o sexo e ignora a química, por pura obrigação de meter o pau. Ninguém é obrigado a trepar, essa sexualização toda que a mídia e a sociedade impõem me causa asco. Como diz Arnaldo Jabor, a bunda está mais importante que sua dona. O abdôme é mais famoso que o seu dono. E todo mundo tem que ter uma performance sexual do caralho. Mas a química? Nem fudendo...
Para concluir então, persistentes leitores dessa aula de química, não cometam o mesmo erro de Raul e Júlia. Não de não ter tido química, isso não é culpa deles. Mas de ter insistido na falta dela. A química, querido meliantes, é o que sustenta a relação. E o que pode destruí-la também. Mas sem ela, o mundo seria uma bosta. Mais bosta do que já é. E negar a química, é pura bosta.
Gozado por: MUN-RAH 4:59 PM
Domingo, Julho 24, 2005
Mary FUCKING Poppins
Quando um relacionamento finda, o que é melhor? Deixar todos os momentos e aprendizados de lado e começar literalmente uma vida nova, ou resgatar o que ficou de bom (e assim levar um pouco da ex-criatura conosco) e aplicar em nossas vidas?
Digo isso, queridos leitores, porque depois de mais uma relação mal sucedida, começo a sentir falta de algumas coisas que o namoro trazia. E a principal é: dormir junto. Achei que estaria cometendo um crime contra Eros, o deus do amor sexual dizendo isso, mas depois descobri que ele também adorava passar a noite enroscado nos braços daqueles que eram feridos por suas sensuais flechas.
Passei por um período de reclusão mental, não tinha mesmo idéias para coluna nenhuma e ainda bem que não me sustento com isso, senão eu seria um sem teto com um celular novo da Motorola. Mas, como numa porra de passe de mágica, fui quase que obrigado a colocar minha mente para funcionar e escrever um texto para um vernissage, que está aqui no site também.
O fim do namoro foi há mais ou menos dois meses. Claro que Eros não ia me deixar em paz, e tive algumas rápidas ficadas nesse tempo. Conheci, através da pura sodomia, pessoas pernósticas, gostosas, lindas, com bafo... Mas todas elas, como disse, através do sexo, puro e simples. Beijo, amasso, arreto, chupação, enfiadas, gozo, beijo, cigarro, rua. E eu, me conhecendo como me conheço, sabia que se algo a mais acontecesse, iria dar em merda. É a velha história de perder antes que se perca. Para não perder alguém, nós afastamos essa pessoa. E assim, ao invés de apostarmos se vamos perder ou não, perdemos certo.
Mas há duas semanas atrás fui numa festa que tinha tudo para ser uma merda se não fosse uma excelente ficada. Beijos maravilhosos, toques lascivos, palavras de bom gosto. Sem sexo e com muito encanto, foi ótimo. Sexta passada então, decidimos repetir. Liguei, fui atrás e combinamos de nos ver. Igualmente delicioso, conheci pessoas fantásticas, revi pessoas que amo muito e que não via há algum tempo e ficamos juntos das oito e meia da noite até as onze e meia da manhã seguinte.
A conversa foi maravilhosa, as esfihas estavam excelentes, os Martinis deliciosos. E claro, novamente aqueles beijos que fazem toda a espinha vibrar. Fizemos um sexo maravilhoso e, mesmo eu relutando, acabamos dormindo juntos, num emaranhado de pernas e braços quentes e exaustos. E hoje, domingo, passei o dia pensando nisso, sentindo falta e uma sensação ruim de perda. É muito irônico que as coisas boas muitas vezes deixam marcas mais sérias que as ruins. Por exemplo: os sexos "pá-puns" que tive nesse período de fim de relacionamento e dormir novamente com alguém. Foi sexo, puramente isso. E no dia seguinte, tudo o que eu pensava era: "-ah, foi bom. Cacete, eu tô atrasado pro trabalho!!!". Mas essa noite de sexta-feira me fez pensar, e pensar nem sempre é cômodo. Aliás, a maioria dos humanóides não pensa, achando que é mais fácil enterrar feridas, deixá-las quietas. Mas na verdade, se não curadas, elas machucam cada vez mais, certo?
Pois bem, me disseram hoje que uma das melhores coisas em um relacionamento é dormir junto. E concordei. E como sinto falta. E que medo me deu que isso demore a acontecer de novo. Quando levamos uma vida cercada pela luxúria, pura e simplesmente, é difícil ver que a sexualidade é muito mais abrangente que o ato da penetração, da buceta molhada ou do pau duro. Isso é sexo. E quando as pessoas dizem que não querem mais só sexo, elas não estão dizendo que querem encontrar o príncipe encantado ou a princesa presa na torre e juntos viverem um amor arrasador, pelo menos não todas. Eu continuo achando, mesmo tendo experimentado, que o amor é um saco. A cara de idiota, a cegueira, a melação... Ele é gostoso sim, é necessário sim, eu quero viver de novo um amor sim, mas vamos admitir que é um saco. Mas não é amor, nem só luxúria, é sexualidade. Eu sinto falta de sexualidade, que compreende o prazer. Sei de algumas pessoas que se assustam porque o pau do parceiro não fica duro, o que é diferente de broxar. Mas não significa que eles não sintam prazer, nem que não tenham tesão, nem que nada. É muito cultural que homem com tesão é homem de pau duro e mulher com tesão é mulher molhada. Às vezes o tesão não está no pau, nem na buceta. E mesmo assim se faz um sexo maravilhoso. Sexualidade é isso, sexualidade é ter prazer comendo chocolate, é ter prazer trabalhando, é ter prazer fazendo qualquer coisa. Sexualidade é fazer sexo e dormir abraçado, como se alguém estivesse ali nos protegendo, como aquela babá da Disney, a Mary Poppins, que era mágica e protetora. E ela é uma retardada, porque sempre sentimos sua falta em um momento inoportuno. Mary FUCKING Poppins. Mas que bem que isso faz¿
Decididamente não sei onde quero chegar com esse texto. É um misto de muitas coisas, leitores. É um desejo imenso de continuar com essa pessoa de sexta-feira, tento cada vez mais intimidade em dormir junto. É um desejo de que ela entre cada vez mais na minha vida e eu na dela. É de continuar com aqueles beijos deliciosos e tudo o mais. Mas também é um desejo de não se envolver, de jogar para longe, por medo de rejeição, de perda, de uma nova derrota que eu ainda não quero ter. E de repente eu gostaria que essa rica criatura que me fez despertar toda essa viagem sobre Mary Poppins, pau duro e dormir junto lesse esse texto. Ou não gostaria. Não sei ainda. Pode ser perigoso que leia, mas posso estar perdendo muito se não ler. Mas tenho certeza que Eros vai me inspirar essa noite, junto com Hypnos e Morfeu, os deuses dos sonhos e do sono, respectivamente. Rogo a eles que me digam se arrisco. Afinal, a Mary Poppins me faz falta. E me dá medo que ela vá embora.
Gozado por: MUN-RAH 9:27 PM
Olá leitores! Depois de um período de reclusão aqui, Mun-Rah volta. Quero compartilhar com vocês esse acróstico que escrevi para um vernissage de um artista plástico excelente, Victor Hugo Porto. Alguns de vocês já devem ter ouvido falar. Ele pinta somente mulheres rechonchudas, que buscam sempre a superação, estão sempre prontas a falar, mas querem sempre mais.
O nome da exposição será "Marias", uma homenagem a todas as mulheres que exercitam a busca em suas vidas. Para ver as pinturas, o site dele é www.victorhugoporto.com
Madonnas dos palcos e dos altares, buscando por
Anitas guerreiras e audazes, que viram
Reginas do lar, da alma e do mundo, revelando
Iracemas do fetiche e da doçura, visando também ser
Amélias leais e verdadeiras, mesmo quando tornam-se
Salomés, altruístas e vingativas
Gozado por: MUN-RAH 9:25 PM
Sábado, Abril 23, 2005
CRIME (?) E CASTIGO
Roubei sim o título da obra-prima de Dostoievski, mas tenho certeza de que ele não irá se importar com isso, uma vez que é por um bom motivo.
Sempre disse que as pessoas dão muita importância ao sexo, não vêem ele como a chave para a melhor sensação do mundo: o orgasmo. Para muitos de nós, humanóides sem o que fazer, ele é a melhor arma para inventar conceitos e regras, quem não respeita-las comete um crime. E sabemos que para qualquer crime, existe um castigo, nem que seja o moral.
Quais são as regras para trepar? Quais são as regras para um relacionamento de 10 anos ou de uma noite serem livres? Seremos castigados por abandonar o papai-e-mamãe? Em fato, somos seres da modernidade ou piranhas?
Sempre gostei desse termo, "piranha". Ele se aplica tanto para homens quanto para mulheres. E não existem muitos xingamentos para os homens equivalentes a cadela, puta, vaca; essas coisas que definem as que trepam e são como cavalos no desfile de 7 de setembro: cagando, andando e recebendo aplausos. Então piranha eu defino ambíguo, é gostoso e livre. Sem sexo, mesmo sendo um adjetivo carregado de sexo.
Ainda batendo nesse ponto, as mulheres heterossexuais são muito mais castigadas pelas "regras do sexo" do que os homens heterossexuais, por isso tantos xingamentos. O que já não acontece em relacionamentos homossexuais, pois a lésbica que trepar com mais mulheres é considerada a gostosa e o cara que dá pra mais de dois é um puto. Estranho, não? Afinal o homem que come centenas de mulheres é o comedor e a mulher que transa com mais de três é uma vaca. Odeio esses termos, essas regras, esses conceitos de nós, seres sexuais que só queremos nos divertir.
Agora leitores, confessem. Pelo menos uma vez em suas vidas, por mais liberados sexualmente que vocês forem, aconteceu um sentimento de culpa por um sexo. E o pior é que geralmente é pelo sexo bem feito, o melhor orgasmo de suas vidas. Afinal, do sexo ruim ninguém quer lembrar, tampouco sentir culpa.
Fui acordado esta manhã com um telefone inesperado e desesperado de Lucas, 21 anos. Lucas é bissexual, embora a maioria dos humanos imbecis acredita que é fachada. E não é, a bissexualidade existe mesmo. Ou então, porque uma pessoa diria que é bi e não gay? O preconceito é o mesmo, não existe a menor diferença. E para mim, ainda há mais preconceito com o bi do que com o gay. Mas enfim, Lucas é bi. Ontem à noite ele, o namorado, uma amiga do trabalho e um cara que anda dando uns beijos nela saíram para jantar e beber cerveja. Após, todos foram para a casa dele. Conversaram, jogaram cartas, até que a colega de trabalho e o cacho foram para uma peça da casa; Lucas e o namorado ficaram em outra. Detalhe: a colega de trabalho (escrever colega de trabalho é chato, então vou chamá-la de Cláudia) não sabia que Lucas era bi. Mas entre beijos, mordidas, mãos e línguas, as cabeças de baixo dos dois falaram mais alto e foram para o quarto, expulsando os outros dois que lá estavam (apenas conversando, de pé, afastados, vestidos e com a luz acesa). Fecharam a porta e iniciaram o melhor sexo de suas vidas. Lucas pelo menos, sem sequer lembrar que a casa ainda estava habitada por mais duas criaturas. Transaram, gozaram, recompuseram e dormiram. As cinco e meia da manhã, o casal que não transou queria ir embora, então acordaram o casal recém copulado. Lucas então levou cada um para sua casa.
Nada foi dito no trajeto até a casa de Cláudia, só depois um tímido "tchau". O integrante do casal que não trepou contou o que eles fizeram, os arretos, blá, blá, blá e, inevitavelmente, a reação de Cláudia. Supostamente estava tudo bem. Mas uma vergonha estrondosa tomou conta de Lucas. Será que ele deveria ter trepado, com mais pessoas na casa? Mesmo com Ricardo (o que ficou com Cláudia) sabendo do namoro, ele sentia-se envergonhado. E mais ainda por ela, que não sabia de nada.
E então fiquei pensando, depois de 17 minutos ao telefone com ele. Mesmo que a relação dos dois continue a mesma, ou melhore, já existe um castigo. Essa angústia, vergonha e mar de dúvidas que tomou conta dele já são uma punição digna de Joana D´arc, que não fez nada de errado, mas sofreu como uma vaca. E tudo isso por causa das regras impostas pela sociedade, cada vez mais fragmentada. Se por um lado um bando de gente mandaria Lucas tomar no cú por ele se preocupar com isso, diria que ele fez o que tinha vontade e que não deve satisfações a ninguém (e tudo isso é a mais pura verdade), por outro existem pessoas prestes a crucificá-lo, podendo até ser Ricardo ou Cláudia, pessoas próximas dele, que estimam a sua amizade e que também trepam.
Quando a mente das pessoas parece estar finalmente evoluindo, quando acaba uma era de repressões, um bando de velhos elege um Papa igualmente repressor, retrógrado e que era chefe da congregação substituta da Inquisição. Atenção leitores que usam camisinha para evitar DST´s e/ou filhos, vocês irão para o inferno! O Lucas e todos os que são "pervertidos" e transam com o mesmo sexo, seu lugar junto de Hades já está preparado. E enfim, todo o resto que vocês devem ter lido, pois não há mais o que se falar.E todas as pessoas que fazem tudo aquilo que vocês lêem e ouvem, pois atualmente só se fala no Papa. Eu queria muito evitar falar de Bento XVI na minha coluna, mas achei um bom motivo para expressar a minha raiva contra ele, que mais parece o avô do Chucky, o eterno brinquedo assassino.
Eu não soube o que dizer a Lucas. Não soube conforta-lo, por meio de porra nenhuma. Mas eu lamentei por ele. Lamentei esse martírio todo por uma noite de sexo esfuziante. Lamentei que, de repente, amizades sejam abaladas por causa disso. E não lamento só por ele, lamento por mim, por você, leitor (a) e por seis bilhões de terráqueos que no fundo buscam a felicidade dentro de si, mas são massacrados por teorias fudidas de gente que não tem coisa melhor para pensar. Acho que o que resta é estar em paz com nossas escolhas. Desde sair na rua usando uma camiseta chamativa, um corte de cabelo chamativo ou fazer um sexo chamativo. Tudo que não entra na lista mais fudida ainda das coisas "normais" provoca uma reação, é tido como um crime. E o castigo pode não ser tão ruim, se isso estiver em paz. "Trepei com mais pessoas em casa, que não sabiam que eu sou bissexual?" Foda-se, não devo satisfação a ninguém. "A minha saia é velha, está manchada e não apareceria na Vogue nem por decreto?" Foda-se, enfie a Vogue no cu se você não gostou.
Fiz uma pausa na escrita, liguei pro Lucas agora, para acabar a coluna. Ele está bem, em paz. "Se eles quiserem deixar de ser meus amigos? Foda-se. Eu tenho amigos que gostam de mim exatamente como eu sou. E trepei sim. E foi "absolutaFODAmente" gostoso!"
Ele está em tranqüilo. Eu também. E espero que vocês todos também. Pois se alguém pensar algo a respeito do que vocês fizeram ou fazem, foda-se. Mesmo com Bento XVI, teorias e o caralho a quatro merecemos ser felizes. Nem que meio mundo precise ir tomar no cu.
Gozado por: MUN-RAH 4:37 PM
Segunda-feira, Março 21, 2005
A INFIDELIDADE E A TRAIÇÃO
Caros leitores, quero tornar pública a minha filosofia sobre a linha tênue que diferencia a infidelidade da traição. Sim, para mim existe uma puta diferença. E não é desculpa para ser infiel, nem nada que o valha. Tampouco é um pensamento bom na teoria e que na prática não funciona, como uma parede vermelha no quarto. Na teoria dá um toque de modernidade, mas na prática seria como dormir em um bordel da China comunista.
Mais um carpaccio na mesa e 3 doses de Flertini´s depois e nenhum brainstorm, que era a desculpa oficial para uma reunião-jantar, Flávia, com muito arrependimento e nenhuma idéia para a próxima campanha institucional da empresa, pôs-se a chorar lembrando de Flávio, o amante (que eu não considero amante, pois para mim, amante só faz parte da traição, não da infidelidade). Flávia namorava há um ano, cinco meses e 27 dias com Flávio, seu namorado, que bate punheta vendo filmes pornô. Representante de uma empresa de materiais plásticos, Flávio viajou a São Paulo para uma semana excitante de feira, conversa e hotel. Flávia passava o tempo na internet, quando bateu a súbita vontade de clicar seu mouse em cima da palavra "chat". E a "Morena Excitada" entrou em ação. Flávia estava no cio (sim, as mulheres, como qualquer outro animal, entram no cio, mas os humanóides chamam de menstruação). Pois então ela falou com o Power Guido, cujo nick era péssimo, mas ele tinha boas idéias para um sexo virtual. Primeiro só teclaram, depois passaram ao microfone, à câmera e ao telefone. Isso durou três dias. No quarto, Flávio, o Power Guido, passou na casa da Morena Excitada para realizar tudo que foi teclado e falado e também para mostrar ao vivo o que tinha visto na webcam. E aconteceu tudo e mais um pouco, pois ela tinha esquecido do chantilly guardado em sua geladeira quando teclava, mas lembrou ao pegar a vodca. Dica: se usarem chantilly, optem pelo light, que não fica grudando no corpo como cola velha. E foi só uma noite, duas depois Flávio voltou e ela nunca mais viu Flávio. E Flávia continua amando Flávio, não o Power Guido, o outro. E se masturbando pensando em Flávio, não o outro, o Power Guido. "Eu traííííííííííííííííí o Flááááááááááávio..." E desabou num choro compulsivo e infantil que dava vontade de lhe meter a mão na cara e lhe enfiar o dedo no rabo.
O outro caso veio do Henrique, também aspirante a publicitário e que estava cheio de idéias para a supracitada campanha publicitária. Ele era noivo de Geórgia há três anos e era 10 anos mais velha que Henrique. Moravam juntos e tinham uma cadela pintcher, coisa mais chata. Uma pintcher, entenderam? Aliás, deveria existir uma lei que proibisse pessoas do bem terem esse tipo de animal. Os pintchers deveriam ser destinados apenas para os filhos da puta, que nem sempre suas mães são putas, porque a maioria das mães dão porque gostam. Pois bem... Henrique e Geórgia se casariam no final do ano, com festa para cerca de 150 convidados e o caralho a quatro. Mas há um ano ele mantinha relações com Renata, a estagiária do setor de criação. Para Geórgia, ele ficava em média três noites por semana aplicando novas idéias na agência. Para Renata, ele ficava em média três noites por semana aplicando seu pau nela. Henrique mentia para Geórgia, mantinha um relacionamento extra-relacionamento oficial e agora já não sentia mais culpa. Estava ainda com Geórgia porque ela liberava o rabo e porque já estava tudo acomodado, mas ele não gostava mais tanto assim dela. Geórgia amava muito Henrique, mas olhava para os homens na rua, teclava no MSN com Lisa, uma catarinense de 1,75m que a levava a deliciosos orgasmos. Trepar de fato com alguém ela nunca fez depois que conheceu Henrique. Aliás, ela abandonou tudo por causa dele. Antes ela era chefe de uma importadora de alimentos, responsável por cerca de 150 pessoas. Agora ela grita com uma empregada que não entende bem português.
Depois dessa verborragia toda e de mais dois Flertini´s, fiquei pensando que apenas Henrique trai. O resto é infiel, e aqui está a diferença: no fato de gostar. Sexo faz parte da natureza humana. Então se nós estamos em um relacionamento, temos três opções: trair (o que nem todo mundo faz), ser infiel (o que a maioria faz) ou nenhuma das anteriores (o que ninguém faz). Pode parecer absurdo, mas ninguém é fiel, mas nem todo mundo trai. Trair é se relacionar com alguém e manter um relacionamento fora deste. Ser infiel, é teclar em chats, bater punheta vendo filmes, revistas ou aquela criatura gostosa que passa nos seus pensamentos; ou então trepar de vez em quando com alguém diferente. Mas não deixar de gostar. Por mais que Flávia tenha gostado de Flávio, ela não deixou de gostar do Flávio. E nem se trepasse com mais 200 "Flávios" ela deixaria. E isso reflete a infidelidade. Henrique não gosta mais de Renata e a trai.
Quanto a perdoar ou não perdoar, quem sou eu pra dizer o quando devemos perdoar ou não. Particularmente, acho infidelidade normal, então não tem o porquê do perdão. Traição eu não perdôo. Mas isso varia, afinal eu perdoei um amigo meu depois de ele ter matado meu gato a vassouradas, mas nunca perdoei minha empregada por ter dado uma camiseta velha que eu amava a um mendigo com frio.
Ver, bater, falar, comentar e trepar é natural, leitores. Enganar é diabólico. E todas as criaturas humanas são infiéis, pois todos os olhos da Terra percorrem uma bunda ou um peito alheio. E li em algum lugar que tudo isso não faz parte da "noiva que Deus idealizou, pois ela deve ser fiel", é mais ou menos isso. Mas isso faz parte do Deus dos homens, pois realmente acredito que o verdadeiro Deus se casou com a Maria Madalena. Então, se forem para esse lado, nem pecado é. Aliás, pecado é aquilo que cada um quer que seja pecado.
Então não pequem. Nem traiam. Mas sejam infiéis. Afinal, todos nós somos. E do mesmo jeito que não temos como escapar do amor e da morte, não temos como escapar disso. Nem fudendo. Ou não fudendo.
Gozado por: MUN-RAH 9:24 PM
Sexta-feira, Março 18, 2005
O ÚLTIMO DIA
Algumas felizes coincidências que aconteceram durante esse feriadão fizeram com que eu abandonasse o aconchego do meu sofá e a minha lata de Coca-Cola para desesperadamente escrever. Quem escreve sabe que é assim, temos que aproveitar o momento de inspiração, senão "tudo vira bosta", como diria Rita Lee. Pois bem, cá estou eu, empolgado com essa nova coluna.
Então vamos começar pelos fatos ocorridos. Tudo começou com uma passageira tempestade de tristeza. Senti muita saudade do Pedro, o amigo, o companheiro e o pai que perdi há quase dois meses, que vocês ficaram sabendo. E muita saudade do Flamel, meu gato metade persa, metade vira-lata que morreu uma semana depois. O pai que me adotou como filho não me ligou nesse feriado, tampouco meu gato subiu no meu colo enquanto eu assistia televisão. E fiquei com saudade, com um vazio. Então, coloquei um cd do Ney Matogrosso, que geralmente cura qualquer pensamento perturbador. E a música "O Último Dia" tocou. E comecei a pensar, quando Ney entoa "meu amor, o que você faria se só lhe restasse esse dia?", será que é melhor saber qual será nosso último dia, ou viver à mercê do tempo e do destino, sem saber de nada? Não importa, leitores. Não aqui nesse meu relato de satisfação, de empolgação e de incentivo. A outra feliz coincidência, é que acabei de ver o filme "Uma Vida em Sete Dias", com a Angelina Jolie (ela é tudo de bom, não acham?). O filme é sobre uma jornalista que tem sua morte prevista por uma espécie de profeta. E então muda inteiramente sua vida. Ela vivia para os outros, sempre em busca de objetivos que levassem as pessoas terem orgulho dela, nunca orgulho próprio. E que merda isso... Viver para os outros é a pior merda que qualquer um de nós pode fazer.
O que eu quero dizer com isso tudo, é que não sabemos quando vamos morrer. Minha tataravó não sabia, o Super-Homem não sabia e o Fernando Sabino também não sabia. E como será que foram suas vidas? E seus últimos dias? Ficou algo pendente, o emprego tava uma porra, a vida tava uma porra, o sexo nem porra? Mas tomo por exemplo o Flamel, meu gato. Ele passava por nós e no meio dos seus ronronados, miados e bagunças ele exalava satisfação. E vocês, leitores, acham que ele ligava se eu estava satisfeito por ele depositar todos os seus 6 quilos em cima de mim? Ou se minha mãe estava satisfeita em cozinhar freneticamente fígado pra ele, coisa que nós não podemos nem com o cheiro? Isso não importava. Ele gostava de nós, nós gostávamos dele e cada um tocava a sua vida. Flamel, da maneira mais satisfatória possível. Nós, humanóides infelizes que temos nossos prazeres dependentes da permissão dos outros, não tão satisfeitos. Ah sim, mas fazemos nossos pais, nossos amigos e nossos cônjuges satisfeitos com nossa vida insatisfeita. Mas e daí? Que merda de vida seria essa, que não nos permite sermos nós mesmos, por causa dos outros?
E se hoje for nosso último dia? Nossa vida teria sido como os sonhos dos outros? Não usaremos as roupas, os acessórios, os tênis e o cabelo do jeito que gostamos porque nossos pais não querem? E deixaremos nossa satisfação profissional, sexual e amorosa de lado por uma sociedade que jamais estará satisfeita com você, não importando o que você seja? Não é aconselhável, nem saudável, nem satisfatório.
Com isso, não digo pra você sair na rua dando pra todo mundo, fumar 10 carteiras de cigarro, 10 baseados e cheirar um quilômetro de pó. Nem comer picanha que nem um porco, nada disso. Pode ser que você tenha mais 100 anos pela frente e eles têm que ser de qualidade. Mas a qualidade pessoal. Por isso não se martirize parando de fumar ou ingerindo apenas alface, ou então ser quase casto pra não ficar "falado" (acreditem, ainda têm pessoas com essa preocupação). Quantas pessoas namoram, trepam ou casam com uma criatura exatamente o oposto de tudo o que desejam, somente pra serem aceitos? Quantas pessoas não entram no embalo da música em uma boate e ficam parados, porque dançar é coisa de viado ou vão falar de como você se contorce parecendo uma minhoca na pista? Você não vai fazer Artes Cênicas, ser revolucionário ou viver sua condição sexual porque as amebas dos seus pais querem vê-lo comportado, heterossexual e com um canudo de advogado ou de médico na mão e não se preocupam que você vai ter um canudo metido no rabo por seguir uma vida indesejada? Eu poderia ficar aqui citando muitos exemplos, mas tomem esses como os que levarão vocês a um ponto de suas vidas. Nunca tive a pretensão de ditar um modo de vida. Eu só descrevo um. Minha coluna é uma viagem entre o claro e o escuro, o bom e o ruim, a redenção e a salvação. E cabe ao público julgar o que seja pertinente. Mas convenhamos que uma vida satisfatória é pertinente.
Caros leitores, caros companheiros aqui do blog, caros amigos e cara família. Hoje pode ser nosso último dia de vida. Mas sempre resta tempo pra dizer e fazer o que não temos coragem. Não construa a sua vida conforme os planos dos outros. Ninguém sentirá orgulho de você se você mesmo não sentir. Foda-se sua reputação e preocupe-se com sua consciência. A reputação é o que os outros pensam de você; e a consciência é o que você realmente é. Tenha orgulho de viver, orgulho de dizer "eu te amo", de ser o que você quiser ser nessa vida de tempo definido, mas não conhecido. Mas faça tudo com consciência e com a certeza que é o melhor pra você. Pode até tomar bonito do cu, sem cuspe ou KY, mas vai valer a pena, pois vai ser você, unicamente você que viveu.
Não vamos jogar fora nossas vidas. Vamos nos declarar, trepar, usar as roupas que queremos, pintar o cabelo de "acaju-intenso", comer um doce que cada mordida tem 87234 calorias e ser verdadeiros conosco, sempre. Essa é a grande satisfação da vida. Não podemos sentir medo de ser quem nós realmente somos e de fazer o que nós realmente gostamos.
O resto? Foda-se o resto.
Gozado por: MUN-RAH 9:44 PM
EU JÁ
Eu já dei risada até minha barriga doer, já nadei no mar até perder o fôlego, já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado. Já fiz cócegas na minha irmã só pra ela parar de chorar, já queimei meu braço com cigarro.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei o rosto, já conversei com o espelho e já brinquei que eu era bruxo.
Já quis ser professor, ator, trapezista, bombeiro, astronauta e violinista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva e acabei viciando. Já ouvi músicas da Xuxa depois de grande e cantei toda a letra.
Já roubei beijo, já fiz confissões antes de dormir num quarto escuro. Já confundi sentimentos. Já me disseram que eu beijo muito bem. Já me disseram que eu sou lindo e já me olhei no espelho e vi somente um monstro. Hoje eu me amo. E já me deu ataque de riso durante o sexo.
Eu já me cortei fazendo a barba e já cortei minha mão por querer. Já raspei a panela de strogonoff, já chorei ouvindo uma música e sentindo um perfume no ônibus. Já fui caçar perdiz com o meu pai e já chorei de felicidade por ver meu time ganhar o campeonato.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas vi que isso é mais difícil do que eu pensava. Já pensei que todos os meus relacionamentos eram eternos, mas nunca duravam mais do que um sonho bom.
Já subi no telhado com o meu gato, já subi em árvores pra roubar frutas e já caí da escada de bunda. Já deitei na grama até ver a Lua virar Sol, já vi estrela-cadente e fiz pedido, já fiz juras eternas e já escrevi no muro da escola. Já deitei na cama de pessoas que eu não lembro o nome nem o rosto. Já saí pra fazer festa só com meu irmão e voltamos chorando de tanto rir. Já fiquei com intoxicação de tanto comer chocolate e já vomitei de tanto andar na montanha-russa.
Já fugi de casa pra sempre e voltei no outro instante. Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça a não ser as estrelas. Já corri pra não deixar alguém chorando, já corri pra alguém não me ver chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de apenas uma. Já levei minha mãe pra balada e já conversamos sobre nossos relacionamentos.
Já me joguei numa piscina e tive vontade de ficar lá pra sempre, já bebi uísque até meus lábios ficarem dormentes e já queimei minha sombrancelha acendendo um cigarro. Já dei risada de palhaço, mas hoje eu tenho pânico deles. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já matei passarinho com estilingue. Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já tive medo de dormir sozinho, já passei uma noite inteira trepando e já fiquei de pau duro só de beijar na boca. Já gritei de felicidade, já ralei a bunda caindo de skate e já chorei por ver pessoas que eu amo partirem, mas logo vi que chegavam outras. E aprendi que a vida é mesmo esse ir e vir sem nexo.
Eu posso nunca pilotar um Porsche, nunca ver o Olimpo ou nunca ser quem eu quero ser. Mas nada disso vai impedir que eu seja feliz. Eu tenho saúde e a beleza e o poder que a juventude dá. Gosto de aventuras, não gosto de nada comum, nada igual. Odeio hipocrisia e sou muito verdadeiro, mesmo que isso machuque alguém ou até a mim mesmo. E só me arrependo do que eu não fiz.
Eu sou louco... Louco de felicidade por tudo que eu tenho. Pela família, amigos, amantes, amores e desamores. Por mim. Eu sou um cara legal. E sou feliz.
Gozado por: MUN-RAH 9:42 PM
A FLORESTA DAS COBRAS CASADAS
Existem três tipos de solteiros nos dias atuais. Os que transam feito condenados, os que esperam pela alma gêmea e os que vivem seu estado civil sem esperar pela criatura ideal e sem deitar a cada noite em uma cama diferente. E para qualquer um deles, o modo como são tratados pelos casados é cruel, engraçado, fóbico e perturbador. Caros leitores, idealizem algumas situações que enfrentei para escrever este texto.
Eis que eu, no auge do meu estado solteiro de ser, vou em uma festa de casais. Logo penso estar com uma espinha gigante na testa, com a braguilha aberta ou com a calça suja. Absolutamente, senhoras e senhores. Eu estou apenas solteiro.
Se for solteiro por opção, por divórcio ou por um passado condenado não tem a menor importância. Os pensamentos que passam pela mente dos casais são: coitado, feio, ruim de cama, cachorro, mentiroso e por aí vai. E quando finalmente se consegue uma conversa, existem duas situações. Ou é o casal catequizando sobre casamento e amor, dando simpatias de Santo Antônio e prometendo 40 pessoas solteiras que vão lhe apresentar. Ou então, quando apenas um dos integrantes do simpático casal fala com você, a conversa dura em torno de 2 minutos. Logo aparece o cônjuge marcando território, com medo de perder a companhia para você, que certamente usará de propostas sexuais ou ingressos para o jogo do Juventude ou do Caxias para atingir o objetivo de todos os solteiros: separar o casal, porque temos inveja.
O jantar com um casal de amigos também é terrível. O papo é o mesmo da situação supracitada, mas de repente aparece uma pessoa solteira, amiga do casal, por pura coincidência do destino. Uma armação mal feita e constrangedora (para todos), que faz o jantar acabar rápido, sem sobremesa ou cafezinho. Isso sem contar que você está automaticamente excluído dos eventos sociais dos casados, porque você é uma ameaça.
Será que é tão difícil entender que estar apenas com nós mesmos é extremamente prazeroso? Que não somos perdedores por passar uma noite de sábado comendo bolachas e assistindo televisão? E que simplesmente não desejamos transformar o "eu" em "nós", que odiamos o "docinho de coco" e o "chuchu" e que queremos ocupar todo o armário?
Assim como temos a nossa liberdade enquanto solteiros, travamos uma heróica batalha dentro da floresta das cobras casadas, onde só vencemos de duas formas. Parando de freqüentá-la ou demonstrando todo o prazer em estar ímpar. Façam sua escolha.
Gozado por: MUN-RAH 9:37 PM
Nesse primeiro post, permitam uma reflexão sobre muitas coisas. Pra quem não sabe, eu sou o Mun-Rah, estudante de Publicidade e Propaganda da Universidade de Caxias do Sul. Eu e mais 8 amigos fundamos o PubliSHITário$, um blog de grandioso sucesso. E agora, por remodelação, tenho um blog anexo com meus textos. E chega de explicações. O passado fica para trás. Agora são as bolas pra frente.
Começo então postando aqui textos que escrevi no PubliSHITário$ e que gosto pra caralho.
Novos virão em breve. Enjoy it!